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Leite Silva.....zeventura@netvisao.pt

domingo, 30 de novembro de 2008

Fotografias do Batalhão I – Ponto de partida

Dando seguimento à história do Batalhão, começamos a publicar as fotos do Batalhão de forma sequencial, começando exactamente pelo ponto de partida: Estremoz

domingo, 23 de novembro de 2008


História do Batalhão
.......

O Batalhão de Cavalaria 8322/74 foi mobilizado nos termos da nota número 5153/PM de 12 de Outubro de 1974 da 1º Repartição do E.M.E., sendo constituído com base no 4º turno de 1974, tendo como unidade mobilizadora o Regimento de Cavalaria Nº3 de Estremoz, onde no dia 5 de Março de 1975, começou a sua organização sob o comando do Tenente Coronel de Cavalaria Luís de Lorena Birne. Este período decorreu até 4 de Abril de 1975, seguindo-se depois períodos sucessivos de licença até ao dia 11 de Maio, foi portanto em pleno P.R.E.C. (Processo Revolucionário em Curso), em que a frase mais ouvida era “Nem mais um soldado para as Colónias”, que seguiu para Luanda o Comandante Luís Birne, acompanhado do Oficial de Operações Major Jesus da Silva.

Partida para Luanda
C.C.S........................Dia 18 de Maio de 1975 23H00 Chegada em Dia 19 de Maio de 1975 07H25
1º Companhia........Dia 19 de Maio de1975 23H00 Chegada em Dia 20 de Maio de1975 07H30
2º Companhia.......Dia 21 de Maio de1975 23H00 Chegada em Dia 22 de Maio de1975 07H30
3º Companhia.......Dia 22 de Maio de1975 23H00 Chegada em Dia 23 de Maio de1975 07H30

Durante quatro dias o batalhão esteve “hospedado” no Grafanil, seguindo depois em coluna motorizada para Henrique de Carvalho, primeiro a CCS no dia 23 de Maio, comandados pelo capitão Avelino Alves Pereira. No dia 25 de Maio, com destino a Henrique de Carvalho e Camissombo e sob o Comando do capitão Rolim Oliveira e Barbosa Soares, saiu a 1ª e 2ª Companhia. A 28 de Maio, com destino ao Camaquenzo (Dundo) saiu a 3ª Companhia sob o Comando do Major Correia de Araújo.
A zona de destino do Batalhão tem como característica principal o facto de ser dominante o grupo étnico Lunda-Quioco, sobejamente descrito em várias publicações.

Situação em Maio de 1975 no Leste de Angola

ELNA (FNLA)......Comandante...Filipe ..1.100 Homens

FAPLA (MPLA)....Comandante..Orlog ..1.100 Homens

FALA (UNITA).....Comandante..Aurélio.500 Homens

Por esta altura estavam instalados no terreno forças da ELNA (FNLA), FAPLA (MPLA) e FALA (UNITA), onde procuravam a hegemonia no campo politico e militar, tendo já realizado uma série de acções inconvenientes, tais como ocupações de instalações, roubo de viaturas e justiça privada que se traduzia por um processo de degradação da situação que inevitavelmente conduziria ao confronto armado entre ambos.

Saurimo

Foi neste contexto revolucionário que o Batalhão de Cavalaria chegou à Lunda

“O Batalhão de Cavalaria 8322 tinha muito boa gente, nomeadamente alguns graduados muito bons, tanto do quadro como milicianos. Um inesquecível exemplo, entre outros foi o 1º sargento de Cavalaria António Delfino Roque. Um excelente ponto de apoio para a acção de comando no Batalhão, sempre pronto a dar bons conselhos aos mais novos e a ampará-los, em especial quando as cabeças andavam desorientadas e os disparates estavam à solta.”

(Mário Jesus da Silva – “Sortilégio da Cobra”)


SITUAÇÃO EM 30 DE MAIO DE 1975

Comando e CCS --- Quartel de Saurimo
1ª Companhia --- Quartel de Saurimo
2ª Companhia --- Camissombo
Grupo de Combate --- Cacolo
3ª Companhia --- Camaquenzo (Portugália)
Grupo de Combate --- Saurimo - Reforço à 1ª Companhia


“O incumprimento dos acordos de Alvor e os excessos já eram prática diária dos Movimentos de Libertação, nesta fase, mais frequentes pelo MPLA e pela FNLA do que a UNITA. (…) O MPLA e a FNLA estavam a receber do exterior bastante Armamento, tanto ligeiro como pesado, que as autoridades Portuguesas não conseguiam controlar, nem pouco nem muito. Acostavam Navios cargueiros em Ponta Negra no Congo Brazzaville, com bastante material soviético para o MPLA. O material Americano para as FNLA chegava por meios aéreos a Kinshasa, sendo encaminhado para a Base Kinkusu.

(Mário Jesus da Silva – “Sortilégio da Cobra”)

Este era o cenário que nos esperava na Lunda, que na língua dos Ambungos significa “terra abandonada”, e que fora em tempos antigos território do lendário reino do Muatiânvua.
Nas margens do Rio Cuango está a sua principal riqueza, os diamantes.
Nos primeiros dias de Junho a situação na Lunda agravou-se progressivamente, vindo a culminar com dois dias (11 e 12 de junho) de violenta confrontação armada entre a ELNA (FNLA) de Holden Roberto e as FAPLA (MPLA) de Agostinho Neto, que resultou na destruição dos quartéis da FNLA. Alguns elementos desta força com receio de nova ofensiva refugiaram-se no nosso Quartel.
Com esta acção as forças do MPLA ganharam um ascendente moral que aproveitaram para garantir o predomínio da zona, bem como consolidar a sua influência no eixo Luanda - Henrique de Carvalho.
As nossas tropas durante este confronto começaram por recolher os oficiais que tinham ficado na messe numa situação muito vulnerável visto que a mesma se encontrava próxima do quartel do ELNA.
Em 12 Junho, logo que a luz do dia tornou possível, saiu a pé o grupo de combate do Furriel Barroco e Romão, com a missão de recolher o representante das FAPLA do Exército Unificado. Este Grupo de Combate garantiu a segurança para a retirada de oficiais do AB4 e famílias que estavam retidas pelo fogo em casas na cidade. Utilizando um megafone, obteve um primeiro contacto com quartel das FAPLA, o que permitiu o abrandamento do tiroteio.
Às 9H00, um grupo de combate saiu para transportar o médico ao Hospital e recolheu alguns civis e militares isolados.
Às 10H00, um grupo de Combate escoltado por elementos do E.M.U. (Exército Unificado) saiu a fim de procurar obter o cessar-fogo no local onde se verificava a confrontação mais violenta, o que só foi possível cerca das 12H00.

“A guerra que começou em Saurimo a 11 de Junho, levou para sempre os meus sonhos de adolescente, tinha 16 anos em 1975. Nesse dia terrível, muitas pessoas morreram. Muitas casas ficaram marcadas pela fúria da guerra. Dentro da Igreja onde nos encontrávamos, quando fomos surpreendidos pelo intenso tiroteio, alguns projécteis entraram, não atingindo ninguém, graças a Deus. A meu Pai infelizmente, coube uma tarefa não muito agradável, como ele trabalhava na Câmara Municipal de Saurimo, e manipulava uma máquina escavadeira, foi designado a abrir valas para enterrar os corpos daqueles que haviam sido vitimados. Foi triste. Infelizmente, são factos que não poderia ocultar, pois fazem parte da história.
Depois de passarmos o primeiro confronto dentro da Igreja, vimo-nos obrigados a refugiar nas matas, nós dormíamos dentro dos carros. Meu Pai ia à cidade pegar mantimentos. Até que um dia, um amigo de meu Pai, avisou-o de que o pessoal que lutava, sabe-se lá porquê, estava disposto a atacar as matas. Então nós, como muitos Saurimoenses, procuramos refúgio na Base Aérea de Saurimo. Foi difícil, pois as autoridades militares não queriam que nós entrássemos na área da Base. Do lado de fora do arame farpado estavam famílias que temiam por suas vidas. Inconformados por não podermos entrar, acampamos do lado de fora. Mas, a certa altura foi autorizada a nossa entrada na Base. Cada um se virou como pôde, nós e uns amigos fizemos barracas de chapas de Zinco, e durante a noite dentro delas nós dormíamos. Durante o dia, ficávamos por ali, olhando todos que deixavam para traz toda uma vida. Para tomarmos banho e fazermos nossa higiene pessoal, contávamos com o carinho dos soldados do exército português, que permitiam que usássemos os banheiros. Fizemos alguns amigos do exército Português, um deles que marcou muito nossa vida foi o Benfica, um soldado muito legal, este não era o nome dele, mas era assim que o conhecíamos, por ser natural de Benfica em Lisboa.
Foram dias difíceis, mas de uma certa forma, todos ali estavam felizes, pois suas vidas haviam sido poupadas.
Enquanto aguardávamos, o avião que nos levaria para Luanda, meu Pai e outros civis, acompanhados de uma escolta militar, levavam em camiões, as coisas que havíamos conseguido pegar de dentro das nossas casas. Entretanto o avião que nos levaria a Luanda chegou .

(Texto de Isabel de Barros em http://www.isabelbarros.hpg.ig.com.br/principal.htm)

Sobre as 17:00. O meu amigo Alberto Ucawenhi e eu fomos ao liceu para ver se tinham saído as notas. Naquele tempo as aulas terminavam no dia 10 de Junho "Dia do nosso poeta Camões". Não conseguimos o nosso objectivo porque os professores ainda estavam reunidos para pôr as notas. Bom, como nós éramos acólitos da catedral, então decidimos acudir ao rosário das 17:45 e depois à Missa. Naquele dia celebrava um padre capelão da força aérea, porque o padre Moreira estava ausente. Além disso para nós era bom que celebrara o padre capelão das forças aéreas, porque depois da missa sempre dava-nos 20 escudos a cada, e naquele tempo era muito dinheiro. Às 18:00 começamos a preparar as coisas da missa porque a celebração começaria as 18:15. Estávamos já preparados para sair exactamente as 18:15, quando começou um ruído estranho que o Alberto pensou que era um problema do microfone. Mas como aquilo aumentava o padre celebrante disse-me que fosse a ver o que estava passando. Naquele momento vi como pessoas que estavam na rua entravam na Igreja. Naquele preciso momento estalou o que seria o início da miséria que o povo angolano sofreu durante 30 anos. Estivemos na Igreja até as 14:00 do dia 12, com fome, crianças chorando de fome e sede...Saímos da Igreja, as ruas estavam cheias de cadáveres de militantes da FNLA, porque a guerra nesse momento era entre o MPLA e a FNLA. Lembro-me que fomos a casa e não encontramos ninguém e saímos correndo até a estrada do aeroporto, apanhamos uma boleia e fomos ao aeroporto onde estivemos 2 dias e depois voltamos andando até Terra Nova, na casa do Alberto. Eu estive praticamente 4 dias sem ver a minha família. Era situação terrível, de desconfiança, morreu muita gente, algumas foram vítimas de ódios e vinganças entre angolanos. Não foi um problema de tribalismo o racismo mas sim de ódio contra aquelas pessoas que pensávamos de distinta forma o que pertencíamos a opções políticas que não era o grupo marxista do MPLA. Eu sou katokue, mas fui expulso do colégio e fui a continuar os estudos no Seminário Mayor do Huambo onde estive até a minha saída a Europa, quando tinha apenas 19 anos


(Texto de Katxoukue em http://groups.msn.com/ComunidadeVirtualdeSaurimo)

No Camissombo

A 2ª Companhia que estava no Camissombo tinha como missão controlar e dar apoio aos refugiados Catangueses (cerca de 300), chefiados pelo General Natanael Mbumba, que estavam instalados no mesmo quartel, e maior efectivo numa “ferme” a 20Km a norte. Na “ferme” permanecia o Capitão Elísio Figueiredo, oficial de ligação do Alto Comissário junto dos refugiados, a quem competia a responsabilidade primária de orientar a conduta dos mesmos.
Não obstante, todo o apoio logístico era dado pelo Batalhão de Cavalaria 8322.
Aquando do tiroteio de 20 de Julho os Catangueses pretenderam tomar de assalto a arrecadação do material de guerra para se apoderar do Armamento, que só não aconteceu por firmeza da parte das nossas tropas.

Na Base Aérea Nº4 em Saurimo

No dia 22 de Junho de 1975 a CCS deslocou-se para a Base Aérea Nº4, a 4 Km de Saurimo, o mesmo sucedendo à 1ª Companhia no dia 30 de Junho. Em 10 de Julho juntou-se o Grupo de combate da 2ª Companhia que se encontrava aquartelado no Cacolo, mas de seguida marchou para o Camissombo para se juntar à sua Companhia, que tinha como missão principal o apoio aos refugiados Catangueses, evitando que estes se imiscuíssem nos conflitos entre os movimentos. A 3ª Companhia que estava no Camaquenzo reuniu-se ao batalhão em 29 de Julho e a 20 de Agosto foi a vez da 2ª Companhia deixar o Camissombo e juntar-se às restantes Companhias que já estavam na AB4.
Depois de uma semana de grande tensão e incidentes, verificou-se em 16 e 17 de Julho em Saurimo a confrontação que viria a ser decisiva na conquista da hegemonia na Lunda.
Quando o tiroteio se iniciou o Major Jesus da Silva encontrava-se no quartel das forças unificadas com um Furriel, que viria a ser recolhido por um grupo de combate que entretanto saíra da AB4 sob o Comando do Major Correia de Araújo.
No dia 17 Julho pelas 10H00 saiu um Grupo de Combate e dois Majores da E.M.U. deslocando-se até ao Governo do Distrito a fim de levar alimentação ao Governador que permaneceu sempre no local.
Pelas 11H00, o Major Jesus da Silva em conversações com o Comando do MPLA, foi informado que os confrontos só terminariam com a expulsão das forças da FNLA que viria a acontecer após 20 horas de tiroteio ininterrupto, tendo como base armas pesadas.
Os sobreviventes da FNLA e UNITA debandaram e entregaram-se no nosso quartel, o que viria a acontecer em Camisssombo (20 de Julho), Portugália (20 de Julho), Dala (18 de Julho), Cuango (22 a 26 Julho), Caungula (26 de Julho) e outros locais.
Por esta altura o Quartel de Saurimo, onde estava aquartelada o que restava das Forças Integradas, era o refúgio de alguns soldados da ELNA. Como entretanto se verificava o avanço das forças do MPLA sobre o Quartel e para evitar o colapso das Forças Integradas, decidiu-se estabelecer contacto directo com as FAPLA (MPLA) a fim de suspender a sua progressão, a troco da entrega do armamento apreendido da FNLA.
Após um encontro “tormentoso” com os soldados das FAPLA, o Comandante concordou em cessar todas as acções, uma vez que o FNLA se encontrava completamente derrotado.
Recolhidas as armas, estas foram transportadas numa viatura para o quartel do FAPLA (MPLA). Aí chegados, ao abrir a porta da carrinha, um elemento do ELNA que estava preso naquele quartel atirou uma granada de mão para o interior originando uma enorme explosão e incêndio da viatura.
Pelas 19H00, realizou-se uma reunião com o Comandante das FAPLA, ficando acordado o patrulhamento misto, a fim de terminar com os roubos que entretanto já se tinham verificado.
A população civil entretanto refugiou-se no interior da AB4, de acordo com um plano previamente estabelecido.
Ainda no dia 19 de Julho, dada a tensão local, seguiu de Saurimo para o Camaquenzo por via aérea, uma comissão mista formada pelo representante de ELNA no EMULUNDA, por um Comandante das FAPLA e pelo Major Jesus da Silva com o apoio do Comandante da 3ª Companhia Capitão Carlos Gonçalves e da Diamang conseguiu-se acordar a retirada para o Zaire de todos os destacamentos da ELNA, a fim de evitar mais mortos.
Este acordo teve curta duração pois no dia seguinte as forças do MPLA atacaram a ELNA.

EMULUNDA (Estado Maior Unificado da Lunda)

ELNA - FNLA --Major Afonso Jovelino
FAPLA - MPLA-- Major João Ernesto Liberdade
FALA - UNITA-- Major António Pinheiro Canjundo


Este Comando deslocou-se várias vezes aos mais variados sítios para acalmar a situação, nem sempre com sucesso, mas foi possível pelo menos atenuar as consequências dos conflitos e manter uma posição de dignidade para as nossas tropas.
Em todas estas acções foi sempre recebido o máximo de apoio do Governador do Distrito, Coronel T. Ramos.
Após as confrontações armadas, elementos dos Movimentos derrotados foram acolhidos na Base Aérea Nº4, tratados os feridos, alimentados e depois evacuados: cerca de 100 ELNA e outros 100 FALA.
Estas acções provocaram situações de grande tensão com as FAPLA, que, apesar dos acordos, pretendiam apoderar-se de alguns elementos sob nossa protecção, ameaçando atacar o quartel, o que nos obrigou a um serviço esgotante, por se ter intensificado as medidas de segurança e algumas vezes o ocupar de posições.
A 3ª Companhia que estava no Camaquenzo reuniu-se ao batalhão em 29 de Julho e a 20 de Agosto foi a vez da 2ª Companhia deixar o Camissombo e juntar-se às restantes Companhias que já estavam na AB4.

No final de Julho só persistiam alguns elementos da UNITA na região Mussuco-Luremo, altura em estas forças se concentravam em Saurimo. Deste facto resultou um novo crescente de tensão que culminou com novos confrontos em 7 de Agosto, ficando o MPLA com predomínio total do distrito da Lunda.


SITUAÇÃO EM 04 DE SETEMBRO 1975

Comando e CCS ---DONDO
1ª Companhia ---CAMBAMBE
2ª Companhia ---DONDO
3ª Companhia--- CATETE

No Quanza Sul

Em 29 de Agosto de 1975 os primeiros escalões da CCS e 2ª Companhia deslocaram-se em Boeing dos TAM (Transportes Aéreos Militares) de Henrique Carvalho para Luanda, deslocando-se depois para o Dondo em coluna militar.
Em 1 de Setembro foi a vez da 1ª e 3ª Companhia, que numa coluna chefiada pelo Major Correia de Araújo trouxe até ao Dondo material, bagagens e viaturas do Batalhão de Cavalaria 8322, chegando no dia 4 de Setembro.
Em virtude das confrontações verificadas em Malange e Salazar, com as consequentes destruições e por outros motivos que se desconhecem, as tropas que estavam aquarteladas nestas localidades recolheram a Luanda deixando o nosso Batalhão isolado em Saurimo a cerca de 1.100 Km e a 800 Km do Dondo onde permaneceu uma Companhia até à nossa chegada.
Para a deslocação do B.CAV., houve que previamente realizar o movimento de uma força constituída pela 2ª Companhia a Malange onde passou a escoltar até Saurimo a coluna das Viaturas que haveriam de transportar para o Dondo, importante nó rodoviário, o Batalhão de Cavalaria 8322. Esta viagem decorreu sem problemas, no entanto, já no regresso uma força das FAPLAS no Cacuso não queria permitir a passagem a viaturas civis, assunto este que foi resolvido por meio de conversações.
Registou-se um acidente de viação e muitas avarias, o que obrigou a paragens sucessivas, tendo de se abandonar 6 viaturas.
O facto desta coluna de cerca de 80 viaturas ter chegado intacta ao destino, sem apoio aéreo e sem qualquer ponto de apoio militar ao longo do percurso e com ligação Rádio deficiente, foi um milagre.

A 1ª Companhia seguiu para Cambambe, barragem que abastecia de energia eléctrica Luanda, Catete, Dondo, Salazar, Malange e Gabela e a 3ª Companhia para Catete, terra de onde era natural Agostinho Neto.
Os segundos escalões da CCS e a 2ª Companhia deslocaram-se de DC6 dos TAM de Henrique Carvalho para Luanda no dia 2 de Setembro seguindo depois em coluna rodoviária para o Dondo.
Na hora da partida, feito o balanço da nossa presença, julgo que a missão de acompanhar o processo de descolonização, harmonizando as oposições entre os Movimentos de Libertação e garantir protecção às populações refugiadas, se não foi totalmente bem sucedida, foi no entanto desempenhada com uma grande dignidade, pois numa altura extremamente difícil garantimos sempre a posse das nossas instalações até à completa retirada.
As nossas actividades foram nesta altura bastante reduzidas, visto que toda a zona se encontrava sob domínio do MPLA, e a poucos dias da independência.


O ÚLTIMO DIA
Na tarde do dia 10 de Novembro de 1975, a bandeira portuguesa foi pela última vez arreada no Palácio do Governo e na fortaleza, dobrada e redobrada. O alto-comissário, almirante Leonel Cardoso, ao qual coube a ingrata tarefa, proclamara horas antes a independência de Angola. Quatrocentos e noventa e dois anos depois das naus portuguesas ali terem largado ferros, o último representante da soberania portuguesa abandonava a jóia do ex-Império, e partia, "sem cerimonial, mas de cara levantada", rumo à base naval da ilha de Luanda.Ao largo, na baía já abandonada por barcos carregados até à borda de multidões e contentores, a fragata "Roberto Ivens" escoltava o "Uíge" e o "Niassa", com as máquinas prontas para, pela última vez, zarparem para Lisboa.Uma semana antes, a cidade branca acabara de esvaziar-se. A ponte aérea, organizada com o apoio de países estrangeiros, retirara de Angola, no meio de indescritíveis cenas de pânico e confusão, quase meio milhão de portugueses. As estátuas dos imortais portugueses jaziam apeadas, no sítio havia só os pedestais, já pintados com o vermelho-negro do MPLA. Para trás ficara a companhia de pára-quedistas, o almirante e uma meia-dúzia de funcionários que agora, no meio de grande e inútil aparato militar, se dirigiam para o porto. Polícias angolanos, de farda azul, ganharam de imediato as posições desocupadas. Às janelas do palácio, alguns criados negros assistiram à saída de blindados e "Berliets". Na baixa luandense, nem isso. Cortadas por fuzileiros, as ruas estavam desertas.
(Jornal de Noticias - Angola 20 Anos depois)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

domingo, 16 de novembro de 2008

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

domingo, 9 de novembro de 2008

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A Mesa do Comando

No encontro de Arouca o “Major” Correia de Araújo fez questão de ter na sua mesa o 1º Sargento Roque que com os seus respeitáveis cabelos brancos continua com um espírito jovem de fazer inveja a muita gente.

domingo, 2 de novembro de 2008

O Mecânico e o Condutor

No encontro de Arouca, o Mesquita, mecânico auto e o Mário João, condutor, ambos da C.C.S. aproveitaram o momento para relembrar algumas peripécias vividas em Angola.
O Mário João tem sido “cliente” habitual dos encontros. O Mesquita fez um interregno de três ou quatro anos mas está de volta. Para o próximo ano em Mora lá estamos de novo.